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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Notícias de alguns bloqueios.

Estamos de partida para o Fundão. Vou levar o M. e o P. comigo para a primeira edição do Festival Literário da Gardunha. Mas deixo aqui dois caminhos para se chegar ao fim-de-semana perfeito:

1. Descobri ontem que o volume Toda a Mafalda vai ser reeditado: a Mafalda é que faz anos, 50, e ela é que nos dá um presente. A notícia está aqui e a capa é esta:


Vou comprar para o M.: eu tenho a minha edição, do meu tempo; ele terá a dele, do tempo dele. E comprarei também para o F. e o A., que andam a folhear o meu exemplar, já tão velhinho.

Às vezes, passo-lhes os volumes individuais. O M. está neste momento com a Mafalda 3 nas mãos.


T-shirt Zippy. Calças de algodão Zara (aqui). 
Pantufas Sho Shoos.


2. Descobri hoje informações sobre o único livro infanto-juvenil de William Faulkner, The Wishing Tree. O artigo, do — não me canso de repetir — irrepreensível Brain Pickings, está aqui. Que o (meu) Pai Natal o leia. E siga os links até aqui (até aqui parece-me demasiado longe...). 

Por agora, vou fazer-me à estrada. Com estas palavras nos bolsos. PIM!

Imagem retirada do Brain Pickings.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Mafalda.

Mafalda faz 50 anos no dia 29 deste mês. Leio-a desde os meus 7, 8 anos. Aos 9, a minha mãe levou-me à Feira do Livro, como fazia sempre, e ofereceu-me Toda a Mafalda. Foi um dos melhores presentes que recebi na vida. É um dos livros da minha vida. Relendo-o, recordo-me de mim.




Nesse Verão de 1988, comecei a odiar a pobre e tonta da Susaninha. Usava o nome dela como insulto. "És mesmo Susaninha!", gritava às meninas que me irritavam com os seus discursos lamechas sobre casamentos, namorados e pobrezinhos... Ninguém me percebia. Ia para casa. Em bicos de pés, enfiados nos meus Le Coq Sportif, contava ao meu Avô e passávamos o resto do dia a rir. 




Nesse Verão de 1988, os meus melhores amigos eram o meu Avô e a Mafalda. E, como explicá-lo?, eu era realmente feliz.

Há uns tempos, escrevi sobre Quino para o Prontuário do Riso (ed. Tinta-da-China).

Há um cartoon de Mafalda, a mais popular criação de Quino, em que a insatisfeita e conscienciosa menina afirma: “Parem o mundo, que eu quero sair”. O mundo tem sido sempre, com efeito, o ponto de partida de Quino para os seus desenhos: o mundo que critica sabiamente com humor, mas sem moral à vista, e que consegue avaliar simultaneamente com ironia e poesia através até do olhar que lhe deita o grupo de crianças que povoam o universo da contestatária Mafaldinha.
Exímio inventor de personagens e lúcido inspector dos males da sociedade, esse mundo revelado pelo traço e pela palavra deste argentino nascido Joaquín Salvador Lavado Tejón é, pois, um lugar onde estamos presos com as nossas insatisfações, uma espécie de carruagem sem saída num comboio que nunca cessa de avançar. A gente (e recorde-se o álbum Gente En Su Sitio, de 1978) desenhada por Quino circula em ambientes domésticos e de guerra, ouve e despreza políticos, enfrenta a morte e o bulício das cidades; é gente burguesa e gente do campo; gente sem jeito para dizer a verdade e gente com a verdade à flor da pele; gente controlada e gente pouco obediente. Difícil é dizer o que fica excluído da crítica político-social operada por Quino, até porque são raros os cartoons do argentino que perderam actualidade.
No fundo, Quino aprendeu com a vida, que não foi diferente da de muitos dos que atravessaram o século XX e usaram o cartoon e a arte de desenhar como armas contra o silenciamento da desordem do mundo e como forma de resistência aos donos do poder: atravessou convulsões sociais e guerras, prestou serviço militar, andou a bater de porta em porta para conseguir emprego e aceitou demasiadas colaborações para poder pagar contas. Mesmo assim, tinha menos de vinte anos quando conseguiu vender a sua primeira banda desenhada; recusa recordar essa história de título Sedalina, criada para uma loja de sedas. Aos vinte e dois, o semanário Esto Es publica a sua primeira tira de humor gráfico, momento que define como sendo o mais feliz da sua vida. Seguiram-se muitas outras publicações – argentinas e do mundo – e os livros: é do início de Sessenta o seu álbum de estreia, Mundo Quino.
E Mafalda? Mafalda nasceu em 1964 e também ela circulou por várias publicações. E pelos livros. A primeira edição esgotou cinco mil exemplares em dois dias. Desde então, o mundo continua a seguir o seu curso e a Mafalda que existe em todos nós continua a procurar a porta de saída. No entanto, com a Mafaldinha de Quino, o absurdo da existência torna-se um lugar mais confortável, por tão bem compreendido por aquela criança e por com ela partilhado. É como se a viagem fosse feita num mundo de cadeirões almofadados – que chegam para todos, como Mafalda sempre quis. Na verdade, e para se fazer justiça, Mafalda e Quino.


Lerei o texto ao fim da tarde, no início de mais uma sessão d'Os Espaços em Volta, dedicada desta vez a Mafalda. 


O spot que o P. nos ofereceu para divulgarmos a sessão.

Eu e a Filipa Leal coordenamos este ciclo da Casa Fernando Pessoa e moderamos a conversa, hoje com o João Paulo Cotrim, o Luís Afonso e a Raquel Varela. A entrada é livre. Como Mafalda desejaria. E vamos soprar as velas a esta que sempre foi uma das minhas melhores amigas. PIM!


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Lento lamento.

Quando os meus sobrinhos entraram na escola, a minha irmã comentava frequentemente o facto de não conseguir parar um segundo em casa aos fins-de-semana. Parar como quem  descansa, como quem precisa desesperadamente de descansar. Andavam sempre num desassossego por causa das festas e das actividades dos miúdos. Ou por se esquecerem de comprar alguma coisa no supermercado (quem consegue atravessar fins-de-semana sem gelados, sem chocolates?!). Ou porque os ténis tinham deixado de servir a um dos rapazes e lá iam a correr comprar outros. Em suma, não conseguiam ter uma clássica tarde de domingo a ler e a ver filmes. Ou a dormir. 

Começo a perceber o que me estava então a tentar explicar a minha irmã, de quem eu me queixava por não ter tempo para mim. Este fim-de-semana foi - como o anterior e o anterior a esse e mesmo o anterior a esse - desassossegado: festas, bailes, compras, almoços de família. E leituras pelo meio porque tenho uma sessão sobre a Mafaldinha para preparar e a apresentação de um livro e uma comunicação para um festival literário... Os programas do M., os programas do P., os meus programas. Mesmo assim, lá bem no fundo do meu pessimismo consigo avistar uma pequenina luz, muito sensata, que me apresenta num tímido néon aquilo que me parece sensato aceitar como novo lema de vida: "de agora em diante, queixo-me apenas das coisas boas". Reparem: eu passei as manhãs com dores de burro por andar o tempo todo a perseguir o meu filho em provadores de lojas e nos passeios de Lisboa,


Camisa Zara (esq.). Calças compradas na feira da praça 
em S. Pedro de Moel. T-shirt Zippy.

à tarde tive dores de barriga de tanto lhe pedir para não acelerar - com o arco e com o popó - e de tanto lhe pedir para partilhar comigo a bolacha da festa de anos do T.,





Calças Phister & Philina. T-shirt com desenho da Mariana, a Miserável,
uma das nossas preferidas <3

à noite quase sufoquei de tanto me rir com as releituras da Mafalda.




No meio disto tudo, como arranjar tempo para me queixar das coisas más?

Sendo assim, vou queixar-me de mais isto:



Pelos vistos, não vai ser no próximo fim-de-semana que vou conseguir descansar. Ainda bem. É que me parece que vai ser realmente bom. Por isso, contem com muitas queixas nos próximos dias. E poucas palavras. PIM!

domingo, 18 de maio de 2014

O rapaz invisível.

Mina Mamã? 
Mina Mamã? 
Mina Mamã? 
Miiiinnnnaaaaa Maaamããããããã!!! 
Num tá cá! 
Num tá cá. 
Bbé num tá cá!


Casaco de malha Zara (aqui). Calças Name It na Boozt.
Sandálias Bobux na Organii Bebé.
Cadeirinha Bebé Confort herdada dos primos.


Às vezes, o M. transporta-me para dentro das tiras da Mafalda, do Quino. E, por isso, para casa dos meus avós, para a cama gigante de um quarto a que chamávamos "o quarto dos primos" por ser lá que dormiam os nossos primos quando nos visitavam. Foi aí que ganhei o hábito de ler na cama - mesmo durante o dia; foi aí que passei umas férias grandes a ler Toda a Mafalda. 




É um dos livros da minha vida, esta preciosidade que a minha mãe me ofereceu numa das muitas visitas que, nesse ido ano de 1987, fizemos à Feira do Livro. Passávamos lá muitas noites, as duas. Lá e em casa, a escolher livros no catálogo do Círculo de Leitores. Os meus volumes do Adrian Mole foram-me trazidos pelo "senhor do Círculo de Leitores", que nos tocava à porta uma vez por mês, depois do jantar. 

Não sei bem porquê, regresso poucas vezes ao Adrian Mole; muitas, imensas, à Mafalda. E o M. traz-me à memória o delicioso Gui, por quem eu morria de amores quando tinha 8, 9, 10 anos. 

Por exemplo, isto já aconteceu cá em casa:



E isto:



E mais isto e isto:



E isto:



Como também isto. Com menos palavras é certo, mas com as mesmas sérias intenções:







Percebo agora por que razão continuo a precisar tanto da Mafalda. Preciso que ela me ensine. Por exemplo, isto:


 PIM!