segunda-feira, 23 de junho de 2014

Da linha de cintura ao calcanhar. Ou ao tornozelo.

Ao começar este post, escrevi: "Ontem a derrota foi dura". Depois, apaguei a frase. Ia corrigir: "Ontem o empate foi duro". Para quê, se teve o sabor da derrota, se foi de facto derrota, se vai terminar numa derrota ainda maior? A derrota tem, contudo, um lado luminoso, uma espécie de serenidade capaz de nos empurrar para territórios desconhecidos. Eu, por exemplo, fui ontem conduzida às 2 da manhã para o mundo dos cavalos. Estava a dar na televisão, não sei se no Discovery Channel, se no Canal História, se no National Geographic, um documentário sobre cavalos que tinha uma abordagem curiosa: apontava e explorava as mudanças sociológicas para as quais os cavalos foram determinantes. Uma delas era o uso de calças. As calças, sim, peça de vestuário. Parece que foi na Antiguidade que se compreendeu a importância de um bom par de calças: como podiam os guerreiros combater a cavalo de túnicas e saias? 

Assim me sentia também eu, quando era miúda e assumia outro tipo de missões, daquelas que implicavam algumas lutas e alguma valentia e me preenchiam os dias. Como andar de bicicleta. Ou saltar muros. Ou apanhar ameixas das árvores. A minha mãe, a minha sofisticada e sempre hiper-arranjada mãe, queria que eu usasse vestidos românticos, com bordado inglês, e sapatos com fivela, ligeiramente quadrados à frente. 

A minha mãe.

Eu queria as minhas botas de carneira ou os meus ténis Le Coq Sportif azuis - feios em qualquer época e em qualquer parte do mundo - e aquelas calças de xadrez que combinavam com pouca coisa, nunca com uns ténis desportivos azuis, ou as outras calças de bombazine castanha, muito fininha e confortável. Negociávamos: ia de calças, mas a camisa tinha golinha (perdoa-me, minha T-shirt clássica do Snoopy, nem sempre venci). Às vezes, conseguia ganhar o jogo à minha mãe pela via da exaustão. Há provas disso: num retrato, apareço, muito direita e determinada, de vestido romântico conjugado com umas botas de carneira que me cobrem as pernas até aos joelhos; ao meu lado, a minha irmã e a minha mãe, lindas nas suas toilettes, impecáveis da cabeça aos pés.



A alegria dos Le Coq Sportif. O sofrimento dos vestidos de golas.


Não consigo determinar a origem da minha paixão por calças: pode ter nascido do facto de eu ter sido sempre uma guerreira da infância; pode ter sido uma herança de família. É que eu, para além de ter tido - e de ter - uma mãe sofisticada, tive a avó mais elegante do mundo. Não havia - nem há - ninguém que ficasse tão bem de calças como a minha Avó F.. Usava-as largas, com sandálias tipo plataforma; ou muito justas, acima do tornozelo (tinha umas amarelas maravilhosas), com uns stilettos coloridos e improváveis. Herdei muitas delas. E uso-as a toda a hora. Fazem parte da minha colecção de calças. Recordo-me de um dia me terem perguntado, num inquérito de jornal, qual a minha peça de roupa preferida. Respondi o óbvio: "As minhas calças - de todos os géneros, tecidos e feitios."

Ora, se percorrer hoje imagens das divas que marcaram a minha infância, noto que usam todas vestido. Dou três exemplos claríssimos:





Talvez a minha avó fosse, afinal, a minha única diva...

Tanta conversa, tantas recordações, apenas porque ontem, antes da derrota e do documentário sobre cavalos, quando fui buscar o M. a casa da minha mãe, foi-me anunciado um impedimento relacionado com calças: "Já não lhe podes vestir mais estes  jeans. Apertam-lhe muito a barriga, Inês! Não insistas mais." Não insisto. Rendi-me aos factos; ou melhor: ao facto de o meu filho ter uma gigantesca e no entanto apetitosa barriga. Está a testar o perfil para anos vindouros, certamente. À noite, antes do jogo, fui para as lojas, o que, no meu caso, significa pegar no iPad e procurar online novas calças.



Jeans Name It, na Boozt. Os tais que já não servem ao M.


Neste momento, não sabemos ainda que calças escolher. Queremos estas todas.


Jeans Name It (aqui). Jeans Phister & Philina (aqui).
Ambos na Boozt.



Calças Indikidual (aqui e aqui). Ambas na Loja Dadá.


Pormenor importante para mães recentes: verifiquem sempre se a cintura das calças (sobretudo dos jeans) tem elásticos ajustáveis. A tanto a barriga obriga. PIM!

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